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“Eu sou um péssimo filho”. Foi a conclusão em que cheguei hoje de por que eu sou do jeito que eu sou.
Antes de tudo, eu sou uma pessoa extremamente sensível. Talvez por isso eu consiga escrever tantas coisas. É um exercício difícil pra mim colocar razão acima da emoção, na maioria das vezes consigo, mas com grande esforço.
O pensamento pertinente sobre eu ser um péssimo filho provavelmente vem de uma lembrança forte que minha cabeça vive tentando ignorar. Os pormenores não são importantes, mas posso resumir que eu decepcionei meu pai de uma forma que ele não me bateu, ele só olhou pra mim e disse o quando estava decepcionado comigo. Disse com vontade, o quando eu o tinha humilhado.
A partir desse ponto eu resolvi dedicar minha vida a fazer meu pai ter orgulho de mim. Eu me esforçaria para ser o melhor que eu poderia ser. Faria de tudo pra que meu pai falasse de peito estufado e sorriso no rosto “Esse é meu filho”. Então ele teve câncer. Resumindo, ele operou, o tumor removido, mas el…
Faz muito tempo que não escrevo uma crônica. Talvez meus pensamentos tenham ficado menos crônicos... Na verdade eu quem nunca gostei muito das minhas crônicas. Sempre evitei escrevê-las. Crônicas são mais pessoais e eu sempre tentei afastar minha persona dos meus textos o quanto pude. Dessa vez não posso fazer isso.
Várias coisas aconteceram que não deixam minha cabeça relaxar para que eu consiga abstrair o que eu sinto num conto que não tenha relação comigo. Não gosto de me expor, por isso pego o que sinto, reinterpreto, crio situações com sentindo similar a ponto do leitor sentir o que eu sinto, mas sem saber o que eu passo e ponho no papel. Quem me conhece de verdade sabe “me ler” nos meus contos, quem me conhece “por alto” nem faz ideia do que eu realmente passei para criar meus escritos. O contexto sempre é completamente diferente.
Também não gosto de escrever crônicas por que me perco com facilidade em pensamentos. Com contos eu crio um roteiro e consigo segui-lo com facilidade…
Eu sou livre? Dizem que sou. Dizem que todos somos. Então por que não me sinto livre?

Me sinto preso às necessidades, não da vida, mas da sociedade. É necessário que eu trabalhe, estude, pague contas, etc. Onde está a liberdade se no fim todos os atos feitos por vontade própria são, no fim das contas, limitados pelas regras da sociedade? Me soa uma liberdade falsa e fútil.

Quero fugir, correr, ariscar, não ter medo de consequencias. Na verdade eu posso fazer isso tudo, mas a sociedade me fez impor travas na minha cabeça. Não posso fazer nada disso pois haverão consequencias, e existem pessoas que dependem de mim.

Talvez eu deva apenas mandar todos se foderem. Quem sabe?

Bom, vá se foder então você que está lendo isso. E que eu me foda pra você também. Sejamos todos livres e que o resto do mundo se foda.

À Sete Chaves

Quanto tempo havia passado? Quantos livros perdidos havia adquirido? Quantas histórias novas de antigos livros não terminados ainda não havia transcrito? Quantos quantos?
Pegou a chave do bolso, velha, com leves princípios de ferrugem e colocou na fechadura com alguma dificuldade. Girou com força e abriu a porta, o cheiro de mofo exalou num expirar forte e cansado.
Haviam inúmeros livros espalhados no chão. Logo percebeu que muitos nem eram próprios da primeira ala - e por um instante se deu conta de que nem lembrava mais quais eram as alas que vinham em seguida, mas isso realmente não importava.
Deu um suspiro cansado enquanto se lembrava do Tolo. Sorriu, a princípio suave, mas que tentou aos poucos tomar conta de sua boca numa enorme gargalhada. Levou a mão na boca contento o sorriso e balançou a cabeça. Precisava arrumar aquilo… Não. Precisava antes de tudo fazer o que realmente veio fazer.
Ignorou o quanto pode a organização do Tolo passando pela ala das janelas abertas e brisa, …
Não sou de entregar minha intimidade pra qualquer pessoa. Não sou desses que chegam abraçando, dando beijo na bochecha e falando da vida pessoal pra primeira pessoa que vira a esquina. Mas infelizmente vivo num "mundo" onde todos são assim.
Moro no estado do Rio de Janeiro e todo morador de toda cidade desse estado é assim, dado. Não tem palavra melhor pra definir, todo mundo aqui se dá de corpo e alma pra qualquer pessoa e mesmo que não receba nada em troca as pessoas continuam "se dando". Eu não gosto disso.
Com o tempo eu me acostumei com pessoas desconhecidas esbanjando intimidade pra cima de mim, mas nunca fui uma delas, nem tentei ser. Às vezes até quis. Talvez se eu fosse extrovertido a vida seria mais "fácil". Apenas talvez.
Com o tempo também fui percebendo que quando me importo com alguém e me envolvo, seja como amigo ou mais que isso, ver a pessoa se entregando fácil pra outras pessoas me causa um bom incomodo. Principalmente por que se me env…
Perdido na vida como sempre. Aceitando melhor duas pequenas peças que a vida me pregou.

Mentira. Duas pequenas peças que eu preguei na minha própria vida devido minha irresponsabilidade e completa burrice.

Eu ainda preciso aprender. Eu ainda preciso entender. Eu ainda preciso crescer. 30 malditos anos e eu ainda preciso crescer. Quão imaturo ainda sou? Quão idiota também?

Mesmo assim, olho pra trás e vejo uma imaturidade maior que a de hoje...

Talvez eu realmente devesse procurar um psicólogo, mas sei que eu não vou. O orgulho é algo que eu ainda preciso aprender a lidar. A baixa autoestima ainda é outro problema que também preciso melhorar.

Eu sei muito bem tudo que quero, tudo que sonho, mas ainda tenho dificuldade com as coisas que eu preciso. Tenho que aprender a ser responsável...
Quero falar de Laliza. Por que? Por que eu sou um saudosista idiota débil mental carente.

Larissa Alves ou Laliza foi uma garota que me marcou apesar de ter sido só um relacionamento virtual um tanto infantil. Eu gostei dela, de verdade, muito, demais, por muito tempo e juro que ainda teria vontade de esbarrar com ela e trocar um lero se ela não fosse mais com a minha cara.

Marcou por que foi quando eu comecei a perceber que eu precisava antes de tudo resolver meus problemas pra depois tentar me envolver com alguém, me dedicar a mim mesmo pra depois me dedicar a outras pessoas. Pode soar meio egoísta, mas se você ver pelo lado de que você quer melhorar a si mesmo não para si, mas para as pessoas que você ama, tudo faz sentido.

Claro que com isso eu acabei descobrindo que aquilo não era amor necessariamente, mas uma fuga da realidade. Um amor distorcido, por assim dizer. Mesmo assim ainda bate as vezes uma leve saudade. Que nem agora.