Pseudo-Quimera I

Tive um pesadelo. Parecido com um que tive a uns anos atrás. Você não deve se lembrar.

Eu estava num lugar que não dava pra distinguir o que era. Se era um quarto, uma casa ou um local aberto. Tudo era escuro e eu só sabia que tinha um chão por que eu sentia ele com meus pés. Apesar do escuro, eu conseguia me ver perfeitamente. Ou será que só idealiza o que via?

Minha mão não era minha. Parecia ter vida própria e a pele era áspera como de um pássaro depenado. As unhas enormes, tortas, quebradas, sujas, encravadas... Involuntária, minha mão foi em direção ao peito, eu aterrorizado tentava me mexer, gritar, qualquer coisa. Nada.

As unhas penetravam a carne devagar, os dedos nem tremiam com o esforço, na verdade minha carne parecia macia, parecia até estar abrindo passagem. "Clack! Creck!", o barulho dos ossos se afastando junto à carne. A dor... não sei como não acordei... Que agonia...

Então senti aquela pressão horrível... Que eu nunca tenha um infarto. É excruciante. Aquele aperto forte que você tem apenas vontade de se encolher num canto, chorar e esperar que tudo acabe rápido, mesmo sabendo que não vai... E nem cheguei na pior parte...

Minha mão agarrou meu coração, com firmeza e começou a puxar. Já imaginou sentir seus vasos sanguíneos sendo esticados um à um até arrebentar? E sempre devagar, sempre com toda a calma do mundo...

Meu coração estava na minha mão. Eu sentia ele ali. Eu o via. Ele não pulsava, apenas escorria o que faltava do sangue que ainda tinha dentro dele. Quando parecia que ele seria esmagado, eu acordei. Uma dor no peito enorme... Sentei e vi que eu estava deitado em cima da minha chave. Cochilei lendo um livro, cheio de tralhas na cama. A chave estava naquele chaveiro que você tinha me dado. Metade de um coração. A outra metade? Acho que nem você sabe mais onde está...

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