O Livro Perdido

 Quantos livros será que existem nessa biblioteca? Quantos deles foram arremessados sem piedade a ponto de quebrar janelas? Quanto tempo levara para reorganizar o caos desorganizado por outro caos? Onde foram os ajudantes inquietos, afinal?

 Tudo ficara mais fácil depois que reencontrara a mais nova aquisição caótica das estantes apaixonadas. Era um livro arisco e traiçoeiro, porém belo, cheio de vida e desejos, que tinha a capacidade de trocar títulos, bagunçar estantes e substituir textos. O maior problema era que o livro ainda não estava terminado. Quanto mais palavras eram adicionadas, mais sua temática se desorientava e ainda mais tudo ficava bagunçado.


 Livros são complicados.

 Outro problema crucial desse livro foi sua escrita demorada que fez com que seus efeitos degenerativos só pudessem ser percebidos quando tudo estivesse reduzido à quase nada.

 Agora o caos antigo estava reestabelecido e o bibliotecário colocava o bendito livro maldito na estante apropriada de acordo com o que ele continha escrito. Ao admirar o livro finalmente em seu devido lugar reparou que uma parte da lateral da capa estava levemente destacada.

 Curioso tirou novamente o livro, terminando de destacar um outro livro colado pelo tempo e que assim ficara perdido. O livro que poderia ter, num folhear de páginas, consertado rapidamente tudo aquilo, e que mesmo não tendo mais nada para consertar garantiu ao bibliotecário um tremendo alívio.

 Resolveu não colocá-lo em estante alguma e levá-lo na esperança de que não o perdesse novamente em seus caminhos. Fechou novamente as portas da biblioteca ansioso pela próxima visita, mas tranquilo... Afinal, ainda havia muito para ser lido... e relido.

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