G

  A letra G nunca me cativou (sim, eu tenho letras preferidas no alfabeto). Alguns nomes de pessoas inconvenientes, por começarem com essa letra, acabaram me fazendo alimentar até certa aversão mínima por ela... Então eu conheci Giselle.

 Eu sinceramente não lembro o nome do evento de show de rock em que a conheci, e sinceramente? O nome do evento não importa. O que importa é que ela tava lá, com uma camisa preta de manga cumprida, calça jeans, cabelo preso, ar de emburrada e, claro, linda. Foi por volta de Agosto de 2011.

 Eu não soube na hora o que tinha chamado tanto a minha atenção nela, se era a mistura da carinha dela de boneca com a expressão séria e adulta, o fato de ser baixinha (coisa que eu adoro), ou os ares lésbicos (coisa que admito também ter queda). Hoje sei que era tudo isso e muito mais.

 Durante o show inteiro eu a admirei e por mais que eu estivesse sentindo que ela estava percebendo meus olhares eu resolvi ignorar minha intuição aquela noite e continuar observando-a de “longe”. Ela também parecia de alguma forma incomodada com meus olhares. Envergonhada talvez.

 Apesar de a vontade ser grande, não fui falar com ela no show. Minha cabeça tinha assumido que ela era provavelmente lésbica e não se interessaria por mim, mesmo assim ainda lembro de em um momento no show em que eu sentei do lado dela e todos estavam distantes onde fiz uma tentativa de puxar assunto. Se bem lembro foi uma frase idiota como um “Noite ruim, né?”, ao qual ela respondeu com um “É...” seco e sem ânimo, também sem jeito, que cortou de vez toda e qualquer chance de eu tentar novamente... Deixei o silêncio prevalecer.

 Eu não esperava me reencontrar com ela, juro. Deixei-a guardada na minha memória como alguém com quem eu achava que deveria ter falado e que eu senti que perdi uma grande oportunidade... mas daí aconteceu algo que eu não posso definir de melhor forma como uma “intervenção do destino” (a mera existência dela faz com que eu acredite nessas bobeiras...).

 Final de 2011 eu andei com um vício em jogos de cartas e estava já há algum tempo tentando marcar jogo com uma amiga chamada Giulia na minha casa, mas nunca tínhamos pessoal suficiente. Então, no dia 1º de Janeiro de 2012, eu consegui chamar uma amiga e a Giulia chamou a Gi (detalhe que quase esqueci de mencionar, eu conheci Giselle no show exatamente por intermédio da Giulia). Ela tinha comentado comigo no celular: “Vou levar a Gi”. Eu fiquei pensando, depois de desligar:

 “Gi... Gi... Quem é Gi? Se ela falou o apelido pra mim com certa intimidade eu devo já ter conhecido por alto... Gi deve ser apelido do nome Giselle... Giselle... Ah! O show de rock ano passado! Então deve ser ela... Peraí... Ela vai vir aqui hoje? Ah... não deve dar nada demais, não deu no show, por que daria em algo hoje? ”.

 E foi assim, todos chegaram, jogamos cartas até umas 19hs, hora em que Gi teve que pegar ônibus pra ir embora. Durante o jogo todo ela estava meio sorridente, meio querendo trocar olhares, mas ao mesmo tempo meio que também evitando olhares. Tava sem graça, parecia nervosa... Eu poderia jurar que era por minha causa, mas eu achei estranho. Assumi que era assim como ela se comportava normalmente, afinal, cada um tem seu jeito de ser.

 Ela estava linda, com aquelas olheiras de quem não dorme a milênios e aquela cara de cansada, o cabelo curtinho solto, sorridente e conversativa... Eu já estava apaixonado por ela e sabia disso. O que começou a nascer naquele show estava apenas terminando de se alojar no meu peito, mas eu não estava deixando, por que imaginei que não ia vê-la durante um bom tempo.

 Na hora dela ir embora a levamos no ponto e quando ela subiu no ônibus foi de novo a mesma sensação de que eu estava perdendo uma oportunidade única. O dia terminou com um ar de inacabado.

 No outro dia, ela tomou a iniciativa e coragem que eu devia ter tomado e me adicionou no facebook. Pode parecer bobeira, mas isso foi tudo que eu precisava pra cair na real e começar a enxergar que o que eu sentia era recíproco. Nossa primeira conversa envolvia baralho e zumbis. Ficamos o primeiro dia inteiro conversando pelo facebook, viramos madrugada. Depois no outro dia já estávamos conversando no MSN, e já na madrugada do dia seguinte parecíamos um casal adolescente de virtualmente enamorados e sem nada que preste na cabeça.

 Tentamos marcar mais um jogo de cartas no final de semana, mas ela não pode vir, tentamos marcar de eu ir na casa dela, mas eu ainda era um medroso com problemas psicológicos severos (na verdade ainda sou) e acabei não indo. Foi aí que ela me surpreendeu mais uma vez, se dispondo a vir aqui pra gente se ver... Eu fiquei louco, tanto de emoção por ela, quanto de tristeza comigo mesmo por não ter feito o que ela fez. Marcamos de nos encontrar numa praça daqui, pra depois darmos uma volta. Enquanto eu a esperava eu estava completamente nervoso e ansioso. Quando ela desceu do ônibus e eu a vi vindo em direção a mim eu inevitavelmente sorri, e ela também. Paramos de frente um pro outro, eu a olhei como no show de rock do ano anterior e ela encarou seriamente, ambos sorrindo... Não teve como não beijá-la.

 Depois desse dia eu posso dizer que passei a viver de verdade. Depois desse dia a letra G se tornou uma das (senão a) mais carismáticas do alfabeto. Todos os dias tem sido os melhores da minha vida, e tem melhorado cada vez mais... Eu ainda olho pra ela como se ainda estivéssemos naquele show de rock onde tudo parecia estar dando errado, e ela ainda fica sem graça, mas dessa vez tudo está dando certo...

 Amo você, Giselle Cristine.

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