Relatos do Vento - O Abraço

Nome: Sara Luana Giacomini
Idade quando quando evento foi presenciado: 18

 Acho que o nome dele era Fulssir, não tenho certeza por que nunca peguei grande intimidade com ele, um dos meus amigos (que era praticamente o único que conversava com ele) que falava dele pra gente. Ele era bem estranho, sempre ficava um pouco mais excluído que os outros e sempre quieto, muito quieto. Quando alguém tentava puxar assunto ou perguntava algo ele respondia nunca olhando a pessoa nos olhos, no máximo de relance, e isso quando respondia.

 Outra coisa estranha é que nunca souberam me dizer onde era a casa dele, onde morava e quem seriam seus parentes mais próximos. Nem lembro como ele entrou no grupo. Sumiu da mesma forma como apareceu: do nada. Ah, ele também fumava vez ou outra, e o engraçado é que sempre parecia que ele não soltava a fumaça. É estranho e até meio besta dizer isso, mas nunca vi a fumaça dos cigarros dele.

 No dia que ele foi embora ele estava muito estranho. Não estava fumando e ficou o tempo inteiro do lado de fora da casa onde a galera estava reunida. Ele ficou lá quase a noite inteira na varanda olhando pro nada. Daí uma amiga minha tinha descoberto na festa que o namorado dela traiu ela, pra tirar ela do meio de todos eu levei ela pra varanda. Conversamos e ela desabafou chorando muito... Então aconteceu. Ele que estava no outro canto da varanda veio até a gente, estava sorrindo, nunca tinha visto ele sorrir com tanta calma como daquela vez... Apenas se aproximou da minha amiga e a abraçou forte, como se ela fosse muito querida e importante pra ele, como se ele a quisesse mais que tudo no mundo. Segurou a mão dela entralaçando os dedos a olhou nos olhos acariciando o rosto dela e disse praticamente soprando as palavras: "Vai ficar tudo bem...".

 Minha amiga teria beijado ele se ele não tivesse ido embora logo depois daquele repentino abraço. Ele saiu sem se despedir de ninguém. Sumiu no meio da rua como se nunca tivesse existido... Minha amiga nunca mais derramou uma lágrima por um namorado perdido. Nunca mais ouvimos falar dele, mas sempre parece que posso ouvir a voz dele junto com os sussurros do vento...

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