Estranho Amor

(Baseado em fatos surreais...)

Ele amava a chuva. Ninguém compreendia como ou por que, mas ninguém precisava. Ele apenas a amava e era isso.

Mesmo antes de começar a cair a primeira gota ele já estava lá fora esperando por ela. Quando começava a chover ele a sentia por completo, deixava ela percorrer todo seu corpo e suas roupas. Sentia-a atravessar cada brecha entre as linhas do tecido pra sentir seu corpo e sorvia cada gota que umedecia seus lábios, não a bebendo, mas a beijando.

"Insano!"; todos diziam. "Vai pegar uma pneumonia!"; insistiam, mas ele não se importava, sabia que sua amada nenhum mal nunca lhe causaria. Queria apenas amá-la e amá-la. Senti-la e depois correr com ela pelas ruas da vida... E ele corria! como se tentasse agarra-la mais do que já fazia. E agarrava, mas ninguém percebia.

Uma vez lhe perguntaram: "Como pode você amar a chuva?"
E ele respondeu com um sorriso: "Por que eu sou o vento..."

O tempo passou, a vida seguiu e o vento mudou suas direções. Ele não parou de amar a chuva, mas se casou e parou de vê-la. "Teria recobrado a sanidade?"; pensavam aqueles que o conheciam... E apenas nisso acreditavam.

Esqueceram dele, não era mais "atípico" o suficiente para chamar tanta atenção. Então um dia ele morreu. Disseram que suas cinzas foram jogadas do alto de um penhasco pela esposa (e mais ninguém) num dia de muito vento e muita chuva.

Tempos depois, uma amiga curiosa e fofoqueira dela perguntou descaradamente: "Mas e a chuva?";
Ao qual ela respondeu sem nem lhe olhar nos olhos: "Ele sempre dizia que eu era a única representação feminina da chuva que Deus havia criado no mundo...";
A amiga achou graça naquilo e concluiu: "Ah... Sim... e ele era a representação masculina do vento... né?";
"Não... Ele é o vento..."; ao responder a amiga não sabia dizer se a expressão no rosto da outra era de tristeza ou de felicidade, mas dizia que de alguma forma ela conseguiu enxergar por um breve momento a chuva dentro daquela mulher.

O que ninguém nunca descobrira é que em madrugadas de vento e chuva o casal saia pelas ruas da cidade para se encontrar e se amar sendo quem eles realmente eram.

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