Aquele maldito dia...

Sabe quando você tem aquele dia infortunado onde parece que todas as já extintas entidades do caos e do azar estão olhando apenas pra você? Aquele tipo de dia que por si só influenciaria no ânimo de muitos dias futuros por boa parte do ano? Pois bem, lá vamos nós...

Segunda-feira ensolarada. Não sei por que, mas eu odeio dias de sol. Não sou do contra, só amo mais o branco das nuvens, ou cinza das chuvas, ou negro da noite do que o azul do dia. Sim, o sol é bonito, mas ele me incomoda (que fazer?).

Ainda estava sem internet por esses dias e com meu PC voltando a apresentar sintomas estressantes de problemas de hard e software. Por motivos estranhos e bagunçados que omitirei aqui acabei sendo recrutado para ajudar na montagem da festa de aniversário de uma amiga. Tudo bem, amigo é pra essas coisas.

Carreguei algumas peças pesadas por um breve percurso e depois ajudei a encher papos com quase desconhecidos enquanto pouco a pouco percebia em pensamentos que "Esse não é o meu lugar...", ignorei-os como faço de costume. Sou um antissocial e como todo bom ser de minha espécie, não curto lugares com pessoas pouco conhecidas, mesmo assim acho que pelo fato de ter ajudado com a festa eu queria pelo menos tentar curtir.

Já na comemoração, à medida que o tempo ia passando e as pessoas surgindo (apenas algumas poucas conhecidas) meus pensamentos se voltavam mais e mais para "Tenho que sair daqui, preciso dar uma volta sozinho, preciso respirar...".

Aguentei apenas até o clichesado e já repetitivo parabéns com as incontáveis musiquinhas "divertidas" que o seguem. Comi alguns doces, me despedi da aniversariante (apenas dela) e sumi em meio às ruas escuras que tanto conheço, amo e sempre me abrigaram nos piores momentos.

Enquanto vagava e divagava começava um cansativo processo de auto-questionamento (aqueles velhos momentos em que revemos nossos "porquês"). Por que sou tão antissocial? Por que não gosto de festas? Será que eu invejo os gostos diferentes que eles têm dos meus? Será que eu menosprezo a compania das pessoas? Por que gosto tanto de ficar sozinho?

Os pensamentos foram se transformando em lembranças antigas de momentos similares, então uma velha amiga veio bater à porta com seu grande D ameaçador. Parei de andar, olhei para a palma de minha mão direita e voltei minha cabeça para a questão que muitas vezes massacrou minha vida desde que tomei consciência do ser estranho que sou: "O que eu tenho feito até agora?"

Senti lágrimas querendo invadir meus olhos, essas malditas criaturas que gostam de brotar das órbitas oculares e verter por nossas faces como um orvalho amargo. "Por que?"...

Contive toda uma tsunami de sentimentos com meus passos, tentando andar cada vez mais rápido e com mais força. Talvez tentando fugir de algo. "Pare, respire e concentre-se. Você é o dono de sua vida. Você faz dela o que quiser, você tem feito dela o que quiz... Se trilhou caminhos tortuosos foi por que achou que eram os certos e era o que queria fazer. Pode ter se enganado algumas vezes... Qual o problema? Você é humano. Você errou e agora deve se perdoar, pois aqueles que você feriu já lhe perdoaram. Que importa se você tem preferências diferentes de outras pessoas? Esse é você, aceite-se e não se importe tanto com o que os outros pensam."; era a razão tomando o lugar dos sentimentos com uma ajuda da inconstância.

Continuei a andar e pouco a pouco retomando controle de mim até encontrar rostos familiares, presenças amigas. Os pensamentos que antes me perturbavam foram substituídos por conversas nerds ou filosofias baratas... Aquela velha amiga com seu grande D havia ido embora.

Voltei para casa para ter um sono tranquilo, mas logo após chegar começou um evento que sempre considerei mágico quando pequeno: Chuva. Não teve outra, sai de casa e voltei a andar para estar com ela, meu antigo amor de infância. Redescobri mais uma vez as pequenas belezas da vida e lavei minha alma por mais de meia hora...

Dormi naquela noite como há tempos não conseguia e assim evitei mais um daqueles malditos dias...
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PS: Primeiro grande post, primeiro grande desabafo... Já faz tempo que queria contar sobre esse quase maldito dia para alguém e se você conseguiu ler até aqui: Muito obrigado, do fundo de meu coração e alma.

Agradecimento especial à nova leitora Cris pelos comentários e dicas (eu pensava que já tinha desabilitado a opção de verificação de letras do blog! =), seja bem vinda ao meu pequeno antro de insanidades, e fico feliz que tenha se identificado com algum de meus muitos "lados".

Para os demais leitores: O nome do blog vai ficar, explicações sobre o nome do blog e o por que de ter escolhido ele podem ser encontrados na página "Fie Cruz?".

Abraços calorosos. ^^

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