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Mostrando postagens com o rótulo Fantasia

Fissura

 "Sabe o que eu acho curioso e às vezes me espanta em nós? Essa conexão anormal que temos.", estava sentado numa cadeira de mesa de computador, estava cansado e só queria dormir, mas juntara algumas forças que lhe restavam para bater aquele papo.  À sua frente, o que parecia ser uma estátua de uma mulher, feita de pedra que mais parecia um cascalho acimentado. A estátua estava deitada numa cama, num sono leve e aprofundado. O quarto era pequeno, iluminado apenas pelo monitor que passava um filme mudo.

Gabunny

"Nota do Autor Esse conto foi escrito para uma amiga em 31 de Março de 2014. Estou postando aqui apenas por que é um conto que eu amo e tudo que eu amo eu boto aqui. Também como homenagem para a minha coelhinha saltitante."  Tristeza...  Quantas pessoas no mundo existem? Quantas ão de existir? Quantas se foram? Tantas ansiosas para ir... De todas elas, quantas foram, são ou serão artistas? Quantas incontáveis criações poéticas (ou não), já não teriam sido extintas pelo mero desgosto de seu criador em certos momentos de sua vida?

Encruzilhadas

 Ele estava exausto, fraco e debilitado. Desmontara seu irmão de suas costas ao chegar naquela divisão de caminhos entrelaçados. Para onde seguir agora? Ele não sabia mais, a dor era tão grande que não conseguia realizar ao menos uma escolha.  Os caminhos eram muitos, mas dois se despontavam, um deles parecia levar a uma floresta cheia de incertezas promissoras, já o outro parecia uma continuação do antigo caminho com algumas flores, mas também espinhos.  “Chega!”, disse um de seus irmãos. “Estamos fartos disso! Por quanto tempo mais acha que consegue nos carregar? Olhe para os seus pés! Todos feridos, e pra quê?! Pra procurar algo perdido que nunca mais vai se encontrar?”, ele se aproximou furioso, era o mais estourado dos irmãos.

A Folga do Bibliotecário

Aviso, ainda não reli para consertar erros nesse texto. Obrigado pela atenção.  Todos os dias o bibliotecário checava a biblioteca, mesmo que só por alto. Analisava a estrutura, verificava se não deixara nenhuma porta aberta, abria um pouco as janelas... Mas até mesmo um bibliotecário precisa de férias.  A biblioteca estava vazia, os ajudantes foram dispensados, as alas todas devidamente trancadas, as janelas estavam até barricadas, afinal, aquela não era uma biblioteca qualquer... Mas nenhuma tranca, fechadura ou barricada importava para ele, pois ele conhecia passagens secretas.

Reconciliação

 Foi numa tarde qualquer que o Lobo e o Tolo se reencontraram. O Tolo estava jogado em seu canto tristonho, cabisbaixo. O Lobo de passagem o viu e se aproximou sem se deixar ser percebido, pegando o Tolo desprevenido. - Como vai velho amigo? Parece triste, o que tem acontecido em sua vida?  O Tolo num salto malabarístico espalhafatosamente espantado se alegrou no seguinte instante em que reconheceu quem veio lhe assustar.

O Livro Perdido

 Quantos livros será que existem nessa biblioteca? Quantos deles foram arremessados sem piedade a ponto de quebrar janelas? Quanto tempo levara para reorganizar o caos desorganizado por outro caos? Onde foram os ajudantes inquietos, afinal?  Tudo ficara mais fácil depois que reencontrara a mais nova aquisição caótica das estantes apaixonadas. Era um livro arisco e traiçoeiro, porém belo, cheio de vida e desejos, que tinha a capacidade de trocar títulos, bagunçar estantes e substituir textos. O maior problema era que o livro ainda não estava terminado. Quanto mais palavras eram adicionadas, mais sua temática se desorientava e ainda mais tudo ficava bagunçado.

Valsa Quimérica

 Hoje eu acordei feliz, tive um sonho bom. Um desses sonhos que você nem sabe se você é você, sabe? Mas no fundo, até que sabe.  Eu não estava sozinha. Tinha alguém ali comigo, me abraçando de um modo carinhoso. Sem apertar, mas sem deixar soltar. De um jeito que nem queria que soltasse mesmo. Não conseguia ver o rosto dele, mas não importava...  Ele se preocupava, coma  situação, com o abraço, como se fosse algo proibido, mas eu o acalmava, dizia que era só um abraço, não estávamos fazendo nada de mais. Falava pra ele esquecer o resto e se deixar levar só um pouco por aquele momento, mesmo que logo acabasse.  Não tinha reparado, mas estávamos dançando. A quanto tempo seŕa que estávamos? Nem tinha música, mas não era estranho. Era tão natural quanto respirar. Cada movimento, cada passo, cada gesto, tudo encaminhando como o enredo de um livro. Tudo à seu tempo certo.  De repente uma lágrima. Ele queria, mas não podia, isso o magoava, mas eu ...

Biblioteca do Caos

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  Fazia muito tempo que ele não entrava em sua biblioteca, mas ele estava procurando um resumo mais ou menos detalhado para entregar à sua amiga e não existia lugar melhor do que lá para criar tal resumo.   Logo na porta de entrada uma pequena placa acima da porta continha seu nome completo. Esboçou um sorriso, tirou a chave do bolso, encaixou-a e se surpreendeu quando percebeu que esqueceu a porta destrancada depois da última visita. Abriu a porta, entrando sem pegar a chave de volta. Na primeira ala, várias estantes contendo vários livros com nomes de parentes amigos e conhecidos como títulos.     Uma estante especial se destacava com uma placa em sua lateral: Biografia Incompleta. Ao folhear os livros via detalhes sobre nascimento, dias importantes como primeiro beijo e primeira transa, mas também dias fúteis, como a primeira vez que comeu brigadeiro ou o primeiro tombo (quem lembra do primeiro tombo?).

Relatos do Vento - O Menino

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Nome: Lúcio Idade quando o evento foi presenciado: 23.  Não é difícil contar essa história, ela é mais comum do que parece, todo mundo que viveu já teve momentos assim. O trabalho não ia bem, provavelmente ia ser demitido logo, a faculdade apesar de quase terminando parecia apenas se prolongar mais, estava preso num relacionamento desgastante e complicado com uma pessoa extremamente egoísta... Resumindo, as coisas não iam nada bem.

Juvia

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  A pequena chama azul tremeluzia e estalava enquanto sorvia o pouco que havia daqueles tortos galhos rubros para alimentá-la. A cada segundo ela diminuía mais, fraquejava e estremecia sob o vento frio, então sorvia mais do que restava da madeira seca e sangrenta para viver segundos mais.

Caminhos Descruzados

(Já tava demorando pra escrever esse conto aqui, ainda preciso escrever umas duas outras idéias que tão na cabeça, mas esse teve uma prioridade especial que precisava escrever... Como sempre, perdoem erros gramaticais e tal. Depois eu reviso.) Deu tudo errado. Ele acreditou que aquele acordo daria certo para ambos e que os dois poderiam viver quase como qualquer dupla de amigos, mas talvez pelo peso dos seus sentimentos serem dobrados aconteceu o que ele não esperava. Aquele sentimento novo e único era muito estranho para ele. Forte, intenso, com constantes necessidades de envolvê-la numa cúpula de afetos apenas dados por ele. Queria mimá-la, seduzi-la, protegê-la e acolhê-la eternamente... Mas por que ela ia querer o mesmo? Por que ela ia querer os sentimentos dele? Sempre foi do tipo estranho, nem entendia a si mesmos ou seus objetivos com sua vida. Com uma face às vezes expressiva e amável, noutras apenas indiferente e frio, com um timbre de voz tênue entre a calmaria das bri...

Peça Divina

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(Desculpem, sem ânimo pra escrever algo antes do conto... Só posso dizer que gostei de escrever, não vou dar detalhes sobre inspiração nem nada, só dar o aviso de sempre que eu não releio e edito, sempre demoro uns meses pra fazer isso, então desculpem erros ou vícios de linguagem.)  Ele escolheu o caminho mais difícil. Sabia como tudo ia acabar desde o começo, já esperava tudo de ruim que havia lhe acontecido, mesmo assim escolheu o caminho mais difícil, por que foi o caminho que ele quis. Também sabia que o meio mais fácil nunca é o certo. Nunca. Odiava generalizar, mas não havia alternativa quando se tratava de certo e errado. Certo é certo, errado é errado.  Agora estava em pé frente aquele abismo. Sozinho. Não podia se mover, pois estava justamente na beirada dele e era uma beirada sem boa sustentação. A cada suspiro podia ouvir como se a terra remoesse um pouco mais até o momento que aquela beirada despencasse.  Estava sentado havia alguns minutos. Já...

A Última Tormenta

(Eu queria postar um outro conto aqui, mas como ainda não escrevi... depois eu faço. Enquanto isso posto esse conto que escrevi tem uns dias. Mais uma vez... conto não relido, desculpem quaisquer erros.) Uma tempestade vinha lá fora. O vai-e-vem do barco era nostálgico, algo eterno e místico que sempre conseguia embalar sua embriagues aliviando qualquer efeito de enjôo ao invés de aumentá-lo. Deve ser pelo costume, aquele barco era sua casa a um longo tempo. Em breve iria abandoná-lo. Quantos meses se passaram desde a última vez que havia pisado em solo? Foram realmente meses? Será que não foi há alguns dias atrás que tinha aportado numa pequena cidade para um saque rápido? Se foi, será que ele realmente desceu do navio? Não se lembrava, mas ainda estava muito vivo em sua memória o tedioso dia em que encontrou o primeiro fio de cabelo branco de sua barba. Passara a raspá-la todos os dias desde então. A tempestade lá fora se aproximava. Naquela manhã ele havia acordado com uma dor infer...

Quarto Branco

(Eu demorei pra postar por que estava esperando alguma manifestação da inspiração, mas parece que continuo sem nada por enquanto, então resolvi postar um conto que apesar de não ser muito recente eu escrevi no final do ano passado. É outro dos grandes então... paciência. ^^ Quase esqueci de mencionar, esse conto eu escrevi baseado num sonho que eu tive ano retrasado e foi tão vívido que ficou na minha cabeça.) Ele não se lembrava de nada e não fazia a mínima idéia do que tinha acontecido. Parecia que havia atravessado um tipo de porta sem porta e quando se deu conta estava naquele estranho quarto. O lugar era pequeno, um pouco maior que o quarto que ele tinha quando era criança e morava com os pais. A porta por onde entrara ficava rente à parede esquerda do quarto. À sua direita ele podia ver uma pequena cozinha com fogão, pia e geladeira. Um pouco mais à frente, separada da cozinha por um muro divisório de um metro e meio, estava uma espécie de sala com sofá e rede. Diretamente à sua ...

O Recheio

(Olha só isso... faz um bom tempo que eu não escrevo um conto, mais ainda um com personagem principal feminina. É curto, simples, porém direto. Adorei escrevê-lo, mas não o li, nem lerei tão cedo, porém espero que você, seja quem for, leia e goste.) O dia estava vazio. Ela estava vazia. Tudo parecia sem graça e sem vida, parecia que estava tendo uma de suas recaídas. Malditos acontecimentos inesperados que nos pegam por trás, pela frente e lados e nos deixam sem reação. "Vou fazer bolo de fubá!" - só sua mãe sabia como ela amava, era um bolo tão simples que caia no esquecimento até dela mesma. Não era fã daqueles muito enfeitados com glassê nas bordas e recheio trufado. Como era gulosa usava um pouco a mais do que o normal das receitas de sua mãe e avó. Punha às vezes um ou dois ovos e meia ou uma xícara a mais de açúcar, farinha, fubá e leite, mas tudo sempre medido pra que nada desandasse. Possuía até um tabuleiro bem fundo pra essas suas receitas exageradas, por que com el...

Criatura

(Nota: Ando tão nostálgico que não consigo pensar em nada mais pra postar além de textos antigos... Então, esse foi meu primeiro conto. Da mesma época depressiva que escrevi a poesia do post anterior. Pode ser um pouco "pesado", mas a intenção era essa mesma... Ah, da pra notar que minha escrita ainda precisava evoluir na época.) Um jovem em sua casa pensava na vida simples, comodista e patética que sempre havia levado. Como queria ele que todo aquele tédio acabasse, toda sua vida mudasse, que alguém pudesse lhe estender a mão e levá-lo frente às portas da liberdade, para fora daquele apartamento imundo, daquela vida repugnante. Inevitavelmente tudo o que conseguia sentir era um desânimo crescente. Ao seu lado um pote de remédios sem rótulo e um copo úmido jaziam abandonados. Ambos vazios.

Um banco e um cigarro...

Nota do Autor  Esse conto é um dos maiores que eu escrevi, por isso antes de começar aviso logo que não há garantias se ele vale a pena de ser lido, isso vai da cabeça de cada um, se serve de ajuda esse é um dos contos que mais amo e geralmente eu não gosto do que eu escrevo. =)  Há anos não a via. Estava sentando no mesmo banco de praça de todas as noites que passaram juntos. Por que havia ligado mesmo para ela? Saudades, malditas saudades. Agora estava ali, feito o tolo que sempre fora, esperando alguém que provavelmente nunca viria. Por que ela quereria vê-lo? Ninguém gostaria de rever alguém que lhe causou tantas dores e confusões. Mesmo assim ele esperava; já estava ali há meia hora.  A praça estava quase vazia, provavelmente por conta do horário. “No mesmo horário de antigamente.”; disse ele ao telefone. “Certo.”; ela respondeu, sem ânimo. Desligou ignorando o ar de desânimo da voz dela, na verdade talvez nem tivesse percebido, novamente iludido por sonhos,...

Um Vôo Libertador

Em uma das longas viagens da Gralha, quando ela pousara para descansar num pinheiro das regiões frias e enevadas do norte, percebeu em arbustos próximos um espreitador muito furtivo a observá-la. Curiosa, porém perspicaz, esperou o incógnito se aproximar e quando percebeu que este já fincava suas garras na árvore preparando-se para uma subida, ela grasnou: - Que queres comigo, velho Lince? - Apenas queria admirá-la mais de perto... – ronronou o outro em grunhidos baixos. O hábil Lince terminou sua escalada e aproximou-se furtivo de sua nova companhia. A Gralha saltou agitada distanciando-se um pouco e batendo as asas, tentando assim manter afastado aquele que a fazia sentir-se ameaçada. O felino afastou-se demonstrando respeito pela ave necrófaga. Tentou explicar-lhe que não se dava mais à caça de criaturas aladas. Estava velho demais e pequenos herbívoros terrestres eram mais fáceis de serem apanhados. Isso deixou a Gralha curiosa: - Insisto em perguntar: Que queres de mim então? - Co...

Hematófagos

O sangue escorria. Ela me mordera. "Por que? Como?" Foi como reagi Quando percebi Onde me meti. Era um encontro, Desses às escuras... Estava carente. Agora tenho sede, A latente necessidade. Sede, sede, sede... Meu amigo dissera: "Ela é bela, culta..." Foi minha culpa. Não posso culpá-lo Por minhas fraquezas. (Ele sabia. Certeza.) Corpo esguio, Ares soberbos, Olhares de anjo caído... Senti certo medo, Talvez fosse instinto... Algo não estava certo. Ignorei meus sentidos. Ela era meiga, afável. O que daria errado? Do bar para casa. Da casa para o quarto. Pensei estar apaixonado... Talvez estivesse. Senti seus lábios Em meu pescoço nu. Eu era a presa Inquieta sob domínios De uma bela fera. Um calafrio percorria Meus músculos e espinha. Era tudo que sentia. Mal pude notar Uma mordida leve Seguida do frio inundante Nem a tonteira Devido à perda Excessiva de sangue. Desmaiei (morri?). Acordei. Ela fora embora, Mas deixara sua marca. Agora sou também Amaldiçoado como ela....

A Tulipa

Ao observar uma flor - tulipa amarela, muito bela - um jovem pensa e revela todas suas faces secretas. “Ignorando o ditado, com essa flor eu bateria numa mulher - pura esquizofrenia! Preferia comê-la com aspargos.” Proclama a máscara do palhaço. “Queria ser como a abelha que voa de flor em flor. Experimenta cada aroma e pólen sem nenhuma vergonha ou pudor.” O manipulador sussurra inquieto. “Cultivá-la ou arrancá-la; controlar morte e vida. Brincar de Deus com uma tulipa.” Diz secamente o anjo caído. “Queria ser como ela possuidora de belas pétalas simétricas, mas sou um trevo quimérico: quatro folhas incertas, difusas e transgênicas.” O jovem pensa sem vida. ----- Mais uma do meu acervo antigo pessoal. Depois de um comentário que escrevi no blog da Cris a uns dias atrás lembrei dessa poesia. PS: Acho que estou que estou com dor de garganta. Na verdade eu estou com uma certa dor de garganta, mas não sei se é dor de garganta mesmo ou se é só "dor de garganta"... se é que vocês ...